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Serie: Mulheres da Categoria

O medo de adoecer contribuiu para a perda de produtividade

11/03/2021 - 17h15 - Federação Livre - Tânia Trento

A teleoperadora Tânia Rossini, 35 anos, se define como uma “mulher de fases. Dias loira outros ruiva. Longe dos padrões físicos da sociedade”. Mora na zona norte de de Natal, com os pais e a filha, uma adolescente de 12 anos.

Há três anos trabalha no call center e já precisou se afastar por causa da ansiedade causada pelo trabalho e a pandemia, mas segue forte no  propósito de continuara sustentar a filha, dando-lhe o melhor. 

O que a pandemia mudou na sua vida profissional?

Hoje a gente vive um cenário triste, diante dos ocorridos e também da frieza que nosso ambiente de trabalho se tornou. Hoje, trabalhamos tensos, por medo de adoecer. Medo de ser contaminado. Isso contribui também para a mudança na produtividade.

E na sua vida familiar?

Tenho uma filha de 12 anos, que diz assim: — Mamãe, eu não aguento mais ficar presa. Moro com meus Pais, ele diabético, vivo em um medo constante de trazer o vírus e contaminá-lo. Afinal, distanciamento social acontece sim dentro da empresa, mas, no transporte coletivo, não.

Você acha que a pandemia prejudicou mais a mulher do que os homens?

Olha, se levarmos pelo ponto de vista do instinto maternal que a mulher tem, sim, eu acho. A preocupação é constante com filhos, casa, companheiro, pais. Não que o homem não tenha, mas a mulher aflora mais. O fato de ser vista como “sexo frágil”, de engravidar e precisar de afastamento.

Como você lida com a dupla, tripla jornada de trabalho, cuidar da filha e da casa?

De forma exaustiva. Além da jornada no call center ser um tanto quanto puxada, ainda tem o fator da insegurança, dos perigos do horário. Já fui assaltada quando saia do trabalho. Mas, não desanimo, sigo em frente caminhando com a proteção divina.

Como você avalia o governo federal no combate a pandemia?

Bom, diante do que acompanhamos na TV e nas reportagens o governo diz que está tomando as medidas cabíveis. Porém, na realidade diária, vivemos um medo constante  de pegar um transporte, por exemplo,  em que todos andam lotados e longe de ter o distanciamento social.

Você teme ser demitida face à pandemia?

Sim. Acredito que seja um medo geral. Afinal, as empresas também passaram por muitas mudanças nessa pandemia.

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