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Resistir, construir e avançar

25 de julho: Dia da mulher Negra, Latina e Caribenha

21/07/2021 - 18h52 - Federação Livre - Redação

Resgatar e valorizar a história da mulher negra e tirar da invisibilidade companheiras negras que sob o jugo racista e machista tiveram menosprezada sua importância histórica na formação das sociedades latinas.

Esse é um dos principais objetivos do Dia Internacional da Mulher Negra Latino- Americana e Caribenha, celebrado no dia 25 de julho.

A data é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.

No Brasil, esse também é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em referência à líder quilombola que se tornou rainha, resistindo bravamente à escravidão por duas décadas.

É também uma oportunidade para estimular a reflexão sobre a condição das mulheres negras que são as maiores vítimas da violência, racismo, machismo, desemprego e da desigualdade social, e a partir daí buscar mecanismos para garantir respeito e dignidade a todas elas.

Histórico

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha foi instituído em 1992, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, na República Dominicana, para dar visibilidade e reconhecimento à presença e à luta das mulheres negras nesse continente.

No Brasil, em 2014, a então presidenta Dilma Rousseff reconheceu o dia 25 de julho como uma homenagem à figura histórica de Tereza de Benguela, conhecida como “Rainha Tereza” no Vale do Guaporé (MG), e instituiu, por meio da Lei nº 12.987, o Dia Nacional da Mulher Negra.

Tereza de Benguela se tornou líder do Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados do então Governador Capitão-General da Capitania, Antônio Rolim de Moura. A líder quilombola viveu no século 18 e que foi morta em uma emboscada.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

Vulnerabilidade

A população negra corresponde a mais da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE.

Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a Associação Mujeres Afro.

Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos 25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe. O Brasil é o que tem o maior índice de feminicídios na América Latina.

Em um contexto de tanta violência, mulheres negras negras são mais vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio.

De acordo com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil.

Barradas dos meios de comunicação, dos cargos de chefia e do governo, elas frequentemente não se veem representadas nem nos movimentos feministas de seus países.

Um breve histórico da luta das mulheres negras no Brasil

Resistir, construir e avançar são verbos que as mulheres negras carregam consigo historicamente. Da luta contra a escravidão aos tempos atuais, elas fazem a micro e macro política nas ruas e nas arenas públicas.

Assim, no Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, essa história precisa ser lembrada. Como diz a célebre frase de Jurema Werneck “Nossos passos vêm de longe”.

A história da organização das mulheres negras em defesa de seus interesses começa no século XIX, com a criação de associações e irmandades, e durante o século XX com a criação de organizações a partir de 1950, o ano em que é fundado o Conselho Nacional de Mulheres Negras no Rio de Janeiro.

O feminismo negro no Brasil, enquanto movimento social organizado, teve início na década de 1970 com o Movimento de Mulheres Negras (MMN), a partir da percepção de que faltava uma abordagem conjunta das pautas de gênero e raça pelos movimentos sociais da época.

Já as décadas de 80 e 90 foram marcadas pelo trabalho de pensadoras como Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, que em plena trajetória de redemocratização do país, contribuíram para a consolidação das pautas das mulheres negras por meio de suas atuações acadêmicas e políticas.

Por fim, chegando aos tempos atuais, a internet fez emergir diferentes movimentos de mulheres negras por todo o país. A 1ª Marcha das Mulheres Negras, que em 2015 levou milhares à Brasília reivindicando seus direitos, foi um marco dessa mobilização das ruas e das redes.

A filósofa e escritora Djamila Ribeiro é um dos grandes expoentes desse novo feminismo negro. Com seu enorme alcance midiático, tem conquistado cada vez mais leitores, estando entre as autoras mais lidas do país e levando as pautas das mulheres negras para cada vez mais pessoas.

Por que ainda é preciso lutar?

O Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista e machista.

Mais da metade da população brasileira é negra, segundo dados do IBGE. Porém, essa população, em especial as mulheres negras, protagonizam os piores indicadores sociais.

De acordo com o Atlas da Violência de 2019, 66% de todas as mulheres assassinadas no país naquele ano eram negras. Além disso, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, de acordo com a última Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE.

Contudo, uma vez garantida a vida e superada a miséria, os desafios continuam. Apesar de, pela primeira vez, os negros serem maioria nas universidades públicas, como aponta a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil do IBGE, mulheres negras ainda recebem menos da metade do salário de homens e mulheres brancas no Brasil, independente da escolaridade.

Mulheres negras no contexto da pandemia

A crise causada pelo coronavírus reforçou as desigualdades no país. O vírus não faz distinção de gênero ou raça, mas as desigualdades sim, e elas agravam a situação para algumas pessoas, em especial, mulheres negras.

A pesquisa Coronavírus – Mães das Favelas, realizada pelo Data Favela e pelo Instituto Locomotiva aponta que as favelas do Brasil têm 5,2 milhões de mães, em sua maioria, mulheres negras. 72% delas afirmam que a alimentação de sua família ficará prejudicada pela ausência de renda, durante o isolamento social.

Além disso, 73% dizem que não têm nenhuma poupança que permita manter os gastos sem trabalhar por um dia que seja e 92% dizem que terão dificuldade para comprar comida após um mês sem renda.

Por fim, oito a cada dez dizem que a renda já caiu por causa do coronavírus e 76% relatam que, com os filhos em casa sem ir para a escola, os gastos em casa já aumentaram.

Dessa forma, como podemos falar em uma sociedade realmente democrática quando uma parcela tão significativa da população não tem garantidos seus direitos básicos à vida e a saúde?

O que a Federação Livre tem feito

Nós da Federação Livre compreendemos que superar o racismo é fundamental para o enfrentamento das desigualdades e para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Assim, trabalhamos para aumentar a capacidade de mobilização e organização das mulheres trabalhadoras nas empresas de Teleatendimento, redes externas e operadoras fortalecendo coletivos e movimentos que atuam para a superação das desigualdades sociais, de raça e gênero.

Porém, em um contexto de crise como a que vivemos, é preciso fazer mais. Por isso, nesta campanha salarial 2021 estaremos negociando com as empresas operadoras: Vivo, Claro, Oi, Tim e Algar benefícios que possam recompensar as várias jornadas que as mulheres passaram a ter no enfrentamento à pandemia, acumulando os cuidados com a casa, alimentação, filhos, aulas online dos filhos, arcando com o aumento das despesas devido ao home office.

Fonte: Portal Geledés, Ofram Brasil, CUT Brasil.

Calendário Feminista

Confira, abaixo, outras datas em referência às lutas das mulheres no Brasil e no mundo:

24 de fevereiro – Dia da conquista do voto feminino no Brasil

8 de março – Dia Internacional da Mulher

30 de abril – Dia Nacional da Mulher

28 de maio – Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Morte Materna

25 de julho – Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

29 de agosto – Dia da Visibilidade Lésbica no Brasil

23 de setembro – Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

28 de setembro – Dia pela Descriminalização do aborto na América e Caribe

10 de outubro – Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher

25 de outubro – Dia Internacional contra a Exploração da Mulher

25 de novembro – Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

6 de dezembro – Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres

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