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DESGOVERNO

A curto prazo só aumento da pandemia e a ignorância do Governo

25/01/2021 - 18h25 - Federação Livre - Redação

Fabíola, 25 anos, escreveu no seu perfil em uma rede social: Espero ser vacinada contra a Covid-19 lá para meados de 2023.

A desesperança da jovem está no fato que a vacina chegou ao Brasil, mas não vai dar nem para imunizar o grupo prioritário do prioritário. O Dia D foi 17 de janeiro quando o governador de São Paulo, João Dória, vacinou uma enfermeira. Se antes não se sabia quando a vacina chegaria, agora não se sabe quando e se Butantã terá o ingrediente principal que é fabricado na China para produzir mais doses. Sem planejamento para imunizar a população, um problema vai surgindo após o outro, sem uma política de proteção à saúde do povo.

Apelidado de necroMinistro, Pazuello apresentou um cronograma de vacinação que tem tudo para fazer água, visto que não há uma breve perspectiva de se ter o imunizante para todos. Certamente é por isso que Fabíola vai adentrar 2023 até que possa se vacinar, uma vez que não trabalha na linha de frente de combate ao Corona, não tem costa quente para furar a fila e nem está em grupos de risco.

Depois de tanto negacionismo, negligência e desorganização, é de se desconfiar que a paralisia do Ministério da Saúde não seja apenas obra de incompetência, mas, sim, um macabro projeto genocida para matar negros, pobres e idosos, os que mais morreram em 11 meses de pandemia.

O Estado do Amazonas está asfixiado com a falta de oxigênio, coisa que Governo Bolsonaro sabia desde o dia 8 de janeiro e nada fez para salvar as centenas de vidas que se foram. Mortes que estão na conta dos militares, pois seu ministro já mostrou que de saúde, não entende patavinas de logística e já está a caminho da reserva.

Tanto a China quanto à Venezuela – países comunistas e achincalhadas de todas formas pela familícia Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e a diplomacia do gado do ministro Ricardo Salles  – é que podem salvar a nossa pele. Da Venezuela já chegaram os caminhões carregados de Oxigênio doados pela estatal Sidor, negociados pelas centrais sindicais brasileiras e não da White Martins como quis a extrema direita. É é da China que deveria vir  o principal ingrediente da CoronaVac. Sem ele não tem vacina.

Esse cenário internacional trágico nos remete à música Geni e o Zepelim, de genial Chico Buarque de Holanda (1978). A música conta a história de uma prostituta que a cidade detestava e até jogava pedra. Mas é ela quem salva a cidade e mesmo depois de ter feito um ato heroico, a cidade continuou a humilhá-la e a execrá-la. Eis parte da letra:

Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Ai um Zepelim gigante paira sobre a cidade e aponta mil canhões para destruí-la, até que o seu comandante resolve dar um chance se a dama o servir.

Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir
Essa dama era Geni

A prostituta se negou. Preferia amar com os bichos a deitar-se com o nobre cheirando a brilho e a cobre.

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

E todos imploraram para que a prostituta salvasse a cidade. E ela cedeu diante de tantos pedidos.

Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Depois de uma noite com Geni, o forasteiro saciado foi embora no Zepelim prateado. E assim que o dia amanheceu a cidade voltou a maltratá-la e discriminá-la.

Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Ou seja, as Genis do governo Bolsonaro são a China e Venezuela que, certamente, não vão nos salvar a troco de nada. E ainda tem a Índia, que também não quer entregar vacinas para o Brasil, depois que a nossa diplomacia jabuticaba não apoiou a proposta dos indianos de suspensão das patentes de vacinas no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Tem gente já falando que vão chamar o golpista Michel Temer para substituir Araújo.

Bolsonaro está com a popularidade em queda devido ao fim do Auxilio Emergencial, as mortes e a agravamento das crises sanitária e econômica. Na pesquisa da XP até os evangélicos, os pobres de direita, estão com o pé atrás. Mas ele confia que o gado, cerca de 30% dos eleitores, vai lhe garantir o segundo turno das eleições de 2022. Por isso, continuará falando apenas para a sua base no cercadinho do planalto, nas redes sociais e ao mesmo tempo provocando novas ou velhas polêmicas para fugir das responsabilidades.

Para se safar dos vários pedidos de impeachment, Jair vai com tudo na eleição da presidência da Câmara do Deputados. O insaciável centrão deve ganhar mais 56 cargos para apoiar Lira. Porém, quanto mais se estende a crise sanitária, mais a sua popularidade cai e mais a crise econômica se agrava. Pode vender a alma ao sistema financeiro, com a privatização, ou retornar com o Auxílio Emergencial.

Alguns especialistas em política não acreditam no impeachment por agora. Para eles a crise econômica precisa ser aguda, acompanhada de manifestações de rua, queda forte de popularidade, inflação, etc. Algumas manifestações, em meio à pandemia, já são ensaiadas. As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, partidos de esquerda como o PT, Psol e Rede  fizeram carreatas em 24 estados e Distrito Federal, no final de semana.

Se o país não protege a saúde, a economia, a vida, está igual barata tonta quando à educação. O fiasco do Enem, com altíssima abstenção nos dias 17 e 24 de janeiro é mais uma derrota para Bolsonaro e sua turma de malucos.

Além dos riscos de disseminar a Covid-19 e do desperdício de recursos públicos, a realização do Enem com menos da metade dos inscritos pode desmoralizar o exame, ainda que as universidades têm autonomia para utilizar ou não as notas do Enem em seus processos de seleção.

Neste quadro caótico, o tema da redação trouxe à tona o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, bastante atual num mundo onde o medo da doença e da morte e o isolamento social agravam os transtornos mentais.

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