Notícias

5ª Conferência UNI Américas

Construir o futuro diante do novo cenário político das Américas

30/06/2022 - 18h07 - Federação Livre - Tânia Trento

 

Por +direitos,+Diversidade, +igualdade, +sindicalização, +empregos formais, +democracia  e -precarização. Esse é o plano de lutas para atuação dos sindicatos no novo cenário político que se desenha na América Latina

Cerca de 600 dirigentes sindicais de 24 países, que representam 124 organizações de trabalhadores filiadas à UNI Global Union, estiveram em Fortaleza, Ceará, nos dias 29 e 30 de junho, participando e discutindo democracia, garantia de direitos e organização sindical na 5ª Conferência Temática UNI Américas.

A Federação LiVRE de Trabalhadores em Telecom participou com uma delegação de 31 sindicalistas de sete estados: Amazonas,  Ceará,  Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia.

O tema “Vamos defender nossos direitos e construir nosso futuro”, elegeu uma agenda de atuação no atual cenário político que vem se transformando nas américas. Nos últimos anos, foram eleitos governos progressistas em vários países do continente latino-americano, como México, Chile, Argentina, Honduras, Peru, Bolívia, Colômbia. O Brasil pode ser o próximo país a ter novamente um governo progressista com a eleição do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O presidente da Federação LiVRE, Luis Antônio Silva, destacou em sua fala aos colegas sindicalistas as conquistas que foram negociadas nos acordos e convenções coletivas para proteção dos trabalhdores em Telecom, a partir do momento em que a pandemia começou e que as empresas de Teleatendimento e Operadoras transferiram milhares de trabalhadores e trabalhadoras para o regime de teletrabalho. Os sindicatos conseguiram proteger os direitos, a renda, os benefícios e garantir que as empresas cuidassem da saúde de seus empregados.

Tivemos uma estratégia clara nesse período de pandemia. Cuidar da saúde dos/das trabalhadores/as, protegê-los/as nos locais de trabalho e também em teletrabalho. Garantimos a regulamentação do teletrabalho e nenhum trabalhador perdeu direitos. Também conseguimos acordos regulamentando o teletrabalho que tivessem direito à desconexão.

Para  Luis Antônio, esse é um encontro impressindível, pois a maioria do povo passa por uma fase muito grave em nosso continente e, principalmente, em nosso país, com uma baita crise econômica, carestia, aumento da inflação e com a deteriorização dos sálarios da classe trabalhadora. “É hora de unir forças e enfrentar esses desafios. A esperança do povo brasileiro é a eleição de Lula, presidente do Brasil. E é nisso que os sindicatos vão focar até outubro, antecipando as campanhas salariais com data base em setembro.

Na abertura, dia 29, por vídeoconferência, os sindicalistas tiveram a oportunidade de ouvir o presidente da Argentina, Alberto Fernandes; Iolanda dias, Ministra do Trabalho da Espanha; Luisa Maria Alcaide, secretaria do Trabalho do México e José Guimarães, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores. Presencialmente falaram a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela e Christy Hoffmann, secretária-geral da Uni Global Union.

Outras lideranças, representando as federações, confederações, centrais sindicais e sindicatos também destacaram a resistência da classe trabalhadora no enfrentamento à pandemia e em relação às novas formas de trabalho que tem surgido.

Não há democracias fortes sem sindicatos fortes.

Para o presidente da UNI Américas, Hector Dáer, a presença dos trabalhadores no debate político é fundamental, pois segundo ele “não há democracias fortes sem sindicatos fortes”. E o movimento sindical sempre esteve na linha de frente da defesa e o fortalecimento da democracia e da paz.

Trabalho precário e discrimação

O secretário Regional da UNI Américas, Marcio Monzane, destacou que o encontro, com mais de 100 lideranças sindicais, na 5ª Conferência, neste momento em que se tem a eleição de presidentes progressistas como Boric, no Chile; Petro, na Colombia; somando-se a Arce, presidente da Bolívia; Xiomara Castro, de Honduras; Lopez Obrador, no México e Fernandes,na Argentina, reflete uma perspectiva de esperança para construir um futuro de igualdade e oportunidades.  O atual momento político da América Latina enseja  mais democracia, mais paticipação e garantia de direitos. Não há espaço para desrespeitar aos direitos dos trabalhadores, para trabalhos precários, a desigualdade e a discriminação. Com a nova ascensão dos governos progressistas, os sindicatos devem ter um papel ativo, de participação na sociedade.

Muitos depoimentos de lideranças latino-americanas mostraram como é sendo feita a luta dos seus sindicatos e os trabalhadores para enfrentar os ataques aos diretos a partir dos governos conservadores e a pandemia que virou o mundo do trabalho de ponta a cabeça.

Trabalhadores da Amazon no Alabama, nos Estados Unidos também vieram a 5ª conferência Regional da ONI. Eles emocionaram os colegas com sua luta para criar o Sindicato, que apesar de todo o esforço ainda espera a decisão da corte. Mas a semente foi plantada porque, segundo Adam Obnauer, dirigente da RWDSU.

Pesquisa sobre as mulheres e o teletrabalho, uma contribuição da LiVRE

A diretora de Mulheres e Diversidade da Federação LiVRE, Lacy da Matta, e  a professora Maria Cristina Paulo Rodrigues, da Universidade Federal Fluminense/RJ, abriram os trabalhos da parte da tarde da 23ª reunião do Comitê de Mulheres da Uni, ocorrida na terça-feira (28), em Fortaleza/CE.

Elas apresentaram a pesquisa realizada com mulheres da categoria sobre o Home Office, uma atividade da Comissão de Mulheres da Federação Livre e dos sindicatos filiados pelo Dia 8 de Março/22, Dia Internacional da Mulher.

Ao contrário do que aconteceu no início da pandemia, quando os trabalhadores foram empurrados para o teletrabalho sem ajuda de custo, sem equipamentos cedidos pelas empresas e tendo muita dificuldade de adaptação do seu local de trabalho ao novo sistema, a maioria das 584 Mulheres, que responderam ao questionário Percepções sobre Home Office/Trabalho, revelou que gostariam de continuar trabalhando de casa.

Porém, a reivindicação principal, com mais de 70% das respostas das mulheres ainda é “ajuda de custo” para pagar despesas com internet, luz e tudo mais que as empresas custeavam no local de trabalho e que foi transferido para os/as trabalhadores/as. Outra demanda das trabalhadoras é a disponibilização de equipamentos (53%), seguida de cuidados com a saúde (47%) e manutenção dos benefícios (45%).

Leia mais sobre a pesquisa

UNI Américas
Com sede em Montevidéu, a UNI Américas, à qual a Federação LiVRE é filiada, é parte integrante da UNI Global Union, que representa 20 milhões de trabalhadores em 150 países, nos setores de finanças, meios e entretenimento, esportes, cuidados, limpeza, segurança, comércio, cassinos, serviços postais, gráfica e embalagem e telecomunicações.

Pin It on Pinterest

Federação Livre

Federação Livre