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Escadas levantadas

Instaladores na Serede/0i homenageiam colega vítima da Covid-19

19/12/2020 - 22h02 - Federação Livre - Redação

A Rua 9, no bairro Alvorada 2, em Manaus (AM) viveu um dia triste, mas extremamente emocionante na tarde da quinta-feira, 17/12.

Rondinelli deixa um filho.

Seis escadas extensíveis, instrumentos de trabalho de instaladores de Telecom, foram posicionadas levantadas nos lados da rua para a passagem do carro fúnebre que levava o corpo de Rondinelli, 33 anos, supervisor na Serede – empresa de rede externa da Oi – vítima da Covid-19.

Os moradores saíram das casas e foram para rua e junto com os colegas de trabalho aplaudiram a chegada do amigo e vizinho na casa da mãe, onde ele também morava e foi velado.

A homenagem, gravada em vídeo pela amiga Kimberli , causou grande emoção.  O ato de levantar as escadas em sinal de reverência ao grande amigo, foi realizada pelos colegas de sua equipe na Serede: Edivaldo Gomes, Emanuel Ferreira, Wilson, Alan, Jeremias, Jonas Sombra e Roosevelt.

Covid-19

Rondinelli havia testado positivo para Covid e vinha passando mal durante a semana. Na quinta-feira, seu estado de saúde piorou e sua mãe chamou a ambulância. O socorro não chegou e ela, então, pegou o filho, colocou no carro e, no caminho, encontrou a ambulância. Pediu socorro e conseguiu que eles atendessem Rondinelli.

Ele foi transferido de maca para a ambulância. Os paramédicos começaram a fazer os procedimentos, porém, Rondinelli não resistiu e veio a óbito.  Os amigos acreditam que ele teve paradas cardíaca e respiratória, devido o seu grave estado de saúde, causado pelo Coronavírus. Rondinelli deixa um filho.

Homenagem

Ao saberem da morte do supervisor, que estava na Serede há dez anos, os colegas resolveram fazer a homenagem.

O instalador Emanuel Ferreira, disse que Rondinelli era como um irmão. “Nós éramos muitos próximos, inclusive, foi ele quem conseguiu esse emprego para mim na Serede e eu serei eternamente grato por isso”.

Edivaldo Gomes, que proferiu umas palavras durante o levantamento das escadas, destacou que Rondinelli era um grande companheiro de trabalho. “Ele era um parceirão”.

A presidenta do Sinttel-Amazonas, Lacy da Matta, lamentou a morte do trabalhador e se emocionou ao ver a homenagem. “Foi muito simbólica. Para aqueles que têm fé em Deus, quando as escadas são erguidas e levantadas parece que é uma ligação aos céus”, resumiu.

Ela também parabenizou os idealizadores da homenagem. “Com seis pessoas e seis escadas – uma coisa tão simples – passaram uma mensagem de solidariedade, respeito,  porque com a Pandemia se banalizou a morte. São quase 200 mil mortos no país. Rondinelli fará parte dos números, mas foi lembrado com dignidade”, disse Lacy.

Fotos feitas com os amigos de trabalho:

Técnicos de Telecom todos os dias colocam a vida em risco

Assim como os médicos, enfermeiros, os garis, os motoristas do transporte coletivo e tantos outros trabalhadores, os técnicos de Telecom são igualmente essenciais neste momento de pandemia e isolamento social.

São responsáveis por manter o país conectado, seja na telefonia fixa, móvel ou digital. O comércio, os bancos, a segurança publica, as escolas, praticamente tudo tem funcionado pelo telefone e rede de internet.

Esses técnicos fazem reparos, instalações e lançam cabos de fibra de poste em poste, pelo Brasil inteiro, mantendo contato diário com outras pessoas. Isso os coloca em risco de contágio com o vírus.

Entram nas casas, nas empresas, sobem em postes e rodam 8, 9 horas por dia, dirigindo o próprio carro, enfrentando congestionamento e a pressão rigorosa das empresas pelo cumprimento das metas diárias e da segurança no trabalho.

Precarização

E o pior, a remuneração não compensa o esforço. Os salários são baixos, os benefícios reduzidos e o contrato é com uma empresa terceirizada das grandes e ricas operadoras multinacionais.

E mesmo sendo essenciais, as empresas não dão toda a segurança. No Espírito Santo, por exemplo, teve empresa de rede externa, contrata da Vivo, que nestes 9 meses de pandemia entregou duas máscaras para cada trabalhador. Segundo um dos técnicos que relata essa situação, ele precisa de quatro máscaras por dia, com duas horas de uso cada uma devido ao suor. E esse custo sai do próprio bolso.

Álcool em gel só tem se for na empresa solicitar. Mas, pelo esquema de trabalho com próprio carro, os técnicos batem o ponto pelo telefone só vão ao almoxarifado para pegar materiais e equipamentos. Acabam comprando o produto.

Outra situação que deixa todos os instaladores amedrontados é que não podem perguntar aos clientes se há alguém na casa com suspeita da doença. São proibidos. E se reclamar a demissão passa a ser uma ameaça.

Sinta a emoção com a homenagem:

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