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Negociação nas Operadoras

LiVRE entrega pauta de reivindicações. Reunião na TIM é dia 19/08

13/08/2021 - 8h17 - Federação Livre - Redação

Cinco reivindicações compõem a pauta das discussões dos acordos coletivos com as operadoras de telecomunicações ALGAR, CLARO, Oi, VIVO e TIM. A data base da categoria é 1º de setembro.

Todas as operadoras já receberam a Pauta de Reivindicações encaminhada pelo secretário-geral da Federação LIVRE, Marcelo Beltrão (Senge-PE). E a primeira empresa a responder foi a TIM, marcando uma telerreunião para o dia 18 de agosto, quarta-feira.

Neste ano, somente na CLARO o acordo será rediscutido no seu todo, pois a empresa – a mais antissindical dentre elas – não aceitou a vigência de 2 anos. Nas demais, somente as cláusulas econômicas serão tratadas. À exceção da VIVO que, além da vigência até set/ 2022, garantiu também repor automaticamente as perdas salariais, decorrentes da inflação, pelo INPC integral (IBGE).  Na Oi as negociações serão feitas com as demais operadoras, mas a data base ainda é 1º de novembro. No ano que vem as datas bases serão unificadas para 1º de setembro, conforme já definido em acordo.

Pauta Unificada

Reajustes nos salários e benefícios pelo INPC integral na data base

As comissões de negociação dos trabalhadores buscam os reajustes integrais do INPC, repondo aos salários o seu poder de compra. Exceção para a Operadora Vivo que já garantiu na negociação de 2020 reajuste automático do INPC INTEGRAL na data base deste ano. Até julho, o índice chegou a 9,85%, podendo ultrapassar a 10%, dependendo da inflação de agosto, que será divulgada no dia 9 de setembro.

Há três anos as operadoras negam a reposição integral da inflação. Impuseram uma política de abonos remuneratórios que não incorporam valor aos salários. E isso se reflete, por exemplo, na redução do valor da aposentadoria e nos depósitos do FGTS do/a trabalhador/a ao longo do tempo de trabalho. Porém, com inflação baixa, como registrou-se em anos anteriores, trabalhadores acabam aprovando essa estratégia das operadoras. Agora o momento é diferente.

Com o reajuste automático na VIVO, garantido em Acordo, a Federação LiVRE encara como uma abertura para que as demais também reponham o poder de compra dos salários.

“Não será uma tarefa fácil e sabemos que vamos enfrentar resistência, principalmente na Oi, devido o processo de Recuperação Judicial e na Claro, onde os desafios são maiores, devido à postura antissindical do grupo”, destaca o presidente da LiVRE, Luís Antônio Silva.

Na ALGAR, operadora com 3.857 trabalhadores em vários estados, as negociações do acordo coletivo já estão adiantadas, sob a coordenação de Gilberto Pirajá, diretor do Sinttel-RN.

Teletrabalho

Outra pauta muito importante, definida pelos SINTTELs do AM, CE, ES, PE, RJ, RN e RO filiados à Federação LiVRE, é Teletrabalho. Somente a TIM tem um acordo de Teletrabalho com regras para desconexão, jornada e ajuda de custo de R$80 mensais. Mesmo com a garantia de que seriam formadas comissões para discutir a reivindicação, não vingou.

Nem a VIVO e nem a Oi, apresentaram uma proposta para regulamentar o Teletrabalho regramento para desconexão, cessão de equipamentos eletrônicos e ergonômicos sem custo para os trabalhadores.

A CLARO, depois de muita cobrança do coordenador da Comissão de Negociação e presidente do Sinttel-Ceará, João Cezar, a empresa apresentou uma proposta que está sendo discutida com a Federação LiVRE. Mas a estratégia da CLARO é primeiro implantar regras e normas, sem a aprovação da categoria, e depois discutir com os sindicatos. Num desrespeito enorme com a representação sindical.

Essa situação, que não estabelece normas transparentes de como deve ser o trabalho em casa, vem causando muito prejuízo aos trabalhadores e trabalhadoras, por conta da pandemia e sem ajuda de custo para custear energia – que subiu mais de 30% em 12 meses – internet, manutenção de equipamentos entre outras despesas. É preciso definir um tipo de compensação para os trabalhadores que cederam suas casas para as empresas. .

Ajuda de custo de R$ 250

O valor mensal é uma compensação por despesas que eram das empresas e foram transferidas para os trabalhadores em home office.

A Federação Livre também levará às empresas a necessidade de garantir empregos e postos de trabalho, já que o setor cresceu na pandemia, mas sem garantia para os trabalhadores.

Qualificação profissional é outra reivindicação que visa garantir treinamento e aperfeiçoamento dos atuais empregados diante das transformações tecnológicas da implantação da rede de fibra ótica em substituição ao fio de cobre nas redes externas de telecomunicações. O objetivo dessa reivindicação é evitar que as empresas demitam e os substituam por outros trabalhadores já treinados com a implantação da tecnologia 5G.

Acordos Coletivos por 2 anos
A Federação LiVRE repete a reivindicação, conquistada no ano passado, pois visa garantir as condições atuais, as cláusulas e direitos nos acordos coletivos estabelecidos, em detrimento das investidas do governo Bolsonaro em passar na Câmara dos Deputados e no Senado, uma minirreforma trabalhista que quer institucionalizar uma subclasse de trabalhadores sem direitos, sem benefícios como a tal Carteira de Trabalho Verde e Amarela. Atinge diretamente, aqueles que chamamos de “empreendedores”. Mas, na verdade, são trabalhadores que vivem somente com o que conseguem faturar – uberistas, entregadores, motoboys, ambulantes, entre outros – 54 milhões de pessoas, vítimas da falta de políticas de proteção ao trabalho e aos empregos, tão escassos diante das crises econômica, social, política e sanitária cujas perspectivas são de um futuro ainda mais difícil para todos os brasileiros, principalmente os mais pobres.

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