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Percepções sobre o Home Office

Mulheres querem o teletrabalho, revela pesquisa da LiVRE

28/06/2022 - 18h25 - Federação Livre - Tânia Trento

A diretora de Mulheres e Diversidade da Federação LiVRE, Lacy da Matta, e  a professora Maria Cristina Paulo Rodrigues, da Universidade Federal Fluminense/RJ, abriram os trabalhos da parte da tarde da 23ª reunião do Comitê de Mulheres da Uni, nesta terça-feira (28), em Fortaleza/CE.

Elas apresentaram a pesquisa realizada com mulheres da categoria sobre o Home Office, uma atividade da Comissão de Mulheres da Federação Livre e dos sindicatos filiados pelo Dia 8 de Março/22, Dia Internacional da Mulher.

Ao contrário do que aconteceu no início da pandemia, quando os trabalhadores foram empurrados para o teletrabalho sem ajuda de custo, sem equipamentos cedidos pelas empresas e tendo muita dificuldade de adaptação do seu local de trabalho ao novo sistema, a maioria das 584 Mulheres, que responderam ao questionário Percepções sobre Home Office/Trabalho, revelou que gostariam de continuar trabalhando de casa.

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Porém, a reivindicação principal, com mais de 70% das respostas das mulheres ainda é “ajuda de custo” para pagar despesas com internet, luz e tudo mais que as empresas custeavam no local de trabalho e que foi transferido para os/as trabalhadores/as. Outra demanda das trabalhadoras é a disponibilização de equipamentos (53%), seguida de cuidados com a saúde (47%) e manutenção dos benefícios (45%).

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Segundo Cristina, a opção pelo recorte de gênero se justifica pelo fato de as mulheres, historicamente, experimentarem as mais difíceis condições de trabalho. Assim, suas percepções sobre o trabalho remoto podem apontar para uma leitura mais abrangente acerca das questões e demandas que deverão ser consideradas pelos Sindicatos e pela Federação LiVRE.

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card da campanha de envolvimento com a pesquisa

Entre 22/03 e 06/06/22, 584 questionários on-line foram respondidos por trabalhadoras do setor de Telecom de sete estados brasileiros representados pela LiVRE.  Uma forte campanha nas redes sociais , por e-mail e contatos do Whats App dos Sinttels, foi realizada para envolver as mulheres.

Os dados e reflexões foram coletados a partir de quatro eixos: Identificação; Situação Familiar; Trabalho e Ação Sindical.

As mulheres do setor de Telecom, incluindo o teleatendimento, operadoras e terceirizadas são, majoritariamente, jovens, negras/pardas (descrição conforme faz o IBGE), divididas entre casadas e solteiras e com escolaridade entre ensino médio completo e superior incompleto e completo.

 

 

 

 

 

 

EIXO II – SITUAÇÃO FAMILIAR

A pesquisa indicou  que as famílias têm diminuído de tamanho, tanto pelo número de pessoas no domicílio, quanto pelo número de filhos/crianças sob a responsabilidade das respondentes – 1 filho, em 61,76%.

A porcentagem de crianças em idade escolar, 84%, também parece combinar com o perfil mais jovem das respondentes e apontam para algumas permanências, quando consideramos a divisão sexual do trabalho, na qual a maior parte dos cuidados com a casa e as crianças ainda permanece sob responsabilidade das mulheres.

Os dados expressam bem essa situação, quando as opções com maior porcentagem são aquelas nas quais as mulheres aparecem como as principais cuidadoras. Na questão cuidado com os filhos, em especial, a mãe aparece em primeiro lugar,  enquanto o pai aparece em quarto lugar, depois da creche/escola e de outros parentes.

Outros dois aspectos merecem nossa atenção: o primeiro, diz respeito à condição do ensino remoto, prevalecente nos dois primeiros anos da pandemia, e que, como várias pesquisas indicaram, sobrecarregou ainda mais as mulheres que também estavam em trabalho remoto.

Na medida em que, no corrente ano, essa não é mais a realidade predominante, como nos indica a porcentagem de mais de 90%, certamente terá um impacto para a avaliação mais positiva sobre as condições do trabalho remoto por parte das mulheres.

EIXO III – TRABALHO

Reunindo o maio número de questões, o tema inicia com um quadro da distribuição das respondentes pelas várias empresas do setor, com uma prevalência no Teleatendimento (266 respondentes), seguido das Operadoras (220 respondentes). Números que confirmam onde estão as mulheres na categoria profissional.

Nessa mesma lógica, não surpreende também que o cargo/função com maior número de respondentes, seja exatamente o de teleatendente (247). Ainda sobre a tabela Cargos e Funções, chama-nos a atenção a pouca presença das mulheres em funções técnicas, num lento processo de igualdade e abertura, que também pode ser creditado ao espaço escolar e mesmo familiar, ao direcionar homens e mulheres para funções prévia e tradicionalmente definidas como masculinas ou femininas.

Há quanto tempo você trabalha na empresa?

Outro recorte de perguntas trata dos equipamentos, mobiliários e local apropriados para o trabalho em casa. Mais uma vez, a avaliação predominante é positiva, ainda que a maior parte das respondentes tenha tido gastos para viabilizar algumas dessas condições e que tenham contado apenas em parte com a responsabilidade das empresas na garantia de mobiliário, equipamentos e mínima estrutura para a execução do trabalho remoto.

Por fim, a saúde também foi um aspecto incorporado à pesquisa.

Coerente com o conjunto das respostas reunidas neste bloco, a maioria das respondentes (61,82%) indicou não ter tido problema de saúde que pudesse ser associado ao trabalho remoto. Para os 38,18% que afirmaram ter tido algum problema, os mais citados foram: dores nas costas, ansiedade/angústia/tristeza e cansaço/stress.

AÇÃO SINDICAL

A pesquisa reuniu questões e demandas que as trabalhadoras gostariam de ver incluídas nas pautas e na agenda (de negociações e práticas) dos sindicatos.

Como dado inicial, 58,39% das respondentes são sindicalizadas

Merece reflexão o fato de que a avaliação positiva acerca do trabalho remoto não significa o abandono de reivindicações, inclusive sobre itens avaliados como positivos, como o caso da ajuda de custo (para internet, luz), da cessão de mobiliários e equipamentos adequados e cuidados com a saúde, no trabalho remoto.

As respondentes também opinaram sobre o que sindicatos e federação devem fazer a respeito da temática da violência doméstica, apontando como principais ações a promoção de debates e matérias sobre a temática nos jornais e sites das entidades; e a garantia de cláusulas nos Acordos Coletivos.

Quando a pergunta é aberta, surgem vários pontos que dialogam criticamente com as respostas positivas ao teletrabalho, desde a proposição de melhora do sistema operacional e suporte dos supervisores; a fazer cursos ou palestras sobre como iniciar o trabalho remoto; cuidar da questão do monitoramento e gravação da tela; até campanhas de alerta e conscientização sobre assédio moral e organizacional.

Sobre a situação específica das mulheres no trabalho, podemos citar as seguintes respostas, nem sempre associadas diretamente ao trabalho remoto: ter flexibilidade para gestantes e mães com filhos sob seus cuidados; que o sindicato lute pela redução da carga horária de trabalho, sem redução de salário, para mães de criança com deficiência; o sindicato poderia incluir cláusulas, nos acordos, para mulheres que sofrem violência doméstica (que tivessem algum tipo de auxílio financeiro); ter psicólogo no sindicato, pois muitas mulheres sofrem violência dentro de casa.

Esse conjunto de respostas, certamente, servirá de orientação às direções sindicais, para a elaboração de pautas de negociação e as ações junto às/aos trabalhadoras/res.

 

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