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Nossa Opinião: Oi, da privatização à colonização

28/07/2020 - 19h32 - Federação Livre - Tânia Trento

Instituto Telecom, Terça-feira, 28 de julho de 2020

A privatização do setor de telecomunicações está completando 22 anos. Ao contrário do que foi efusivamente anunciado na época, a privatização ocorrida no dia 29 de julho de 1998 trouxe grande prejuízo para o Brasil.

Acabou com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (único fora do eixo dos chamados países desenvolvidos), enquanto produtor de tecnologia nacional, indutor de conhecimento e pesquisa, fomento da indústria nacional; resultou em preços e tarifas exorbitantes; concentrou o mercado – Oi, Vivo e Claro detém, juntas, 80% do mercado brasileiro de banda larga; o setor bate recorde de reclamações pela baixa qualidade dos serviços; há um alto nível de terceirização e demissões permanentes.

O tripé da privatização era competição/qualidade/universalização. Nenhum deles foi alcançado. A Oi é o retrato da privatização. Ela poderia ser considerada como sucedânea da Telebrás, pois está em 26 estados da Federação. Mas, lamentavelmente, a comparação só vai até aí. A Telebrás foi destruída pelos defensores do Estado mínimo.

A Oi tem sido um fracasso. A empresa é um joguete nas mãos de fundos abutres e especuladores norte-americanos (GoldenTree, York Global, Brokfield, Solus) especializados em comprar ativos de alto risco visando lucrativos retornos.

Atuam na compra de títulos de dívidas de devedores quase inadimplentes ou de ações de empresas perto da falência. E quem agora quer entrar na farra da Oi? A empresa norte-americana Highline, controlada pela americana Digital Colony (Colônia Digital). Isso foi anunciado na semana passada pela direção da Oi.

Dessa forma, estariam sendo colocadas em segundo plano, no primeiro momento, a TIM, a Vivo e a Claro. Elas haviam mostrado interesse na parte móvel da Oi para depois dividirem entre elas em partes iguais.

Quem está vendendo são grupos de especuladores/abutres norte-americanos. Os compradores se dividem em italianos, espanhóis e mexicanos, de um lado, e os norte-americanos da Digital Colony do outro.

Política pública, preocupação com a sociedade (preços/tarifas/qualidade), emprego dos trabalhadores do setor? Não pensam em nenhum momento. A preocupação de todos os agrupamentos é única e exclusivamente aumentar os ganhos dos seus acionistas.

Esse é o quadro: criaram um modelo de privatização que não encontra paralelo no mundo. Podem chegar ao cúmulo de entregarem a maior empresa brasileira a uma grupo que tem no próprio nome o seu primordial objetivo: nos transformar numa colônia digital.

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