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Campanha salarial Vivo

Premissas excluem reajuste, empregos e regras para home office

17/08/2020 - 16h36 - Federação Livre - Tânia Trento

A Telefônica Vivo mostrou – na primeira reunião de negociação – que suas premissas são antagônicas a pelo menos três itens da pauta unificada de reivindicações, aprovada pelos/as trabalhadores/as.

Na apresentação feita pela equipe da empresa, Márcio Aparecido, Tiago e Janaína, na manhã desta segunda-feira (17/08),  a Vivo não tem a intenção de discutir reajuste salarial, garantia de empregos, saúde e a regulamentação do trabalho em home office. Já para a Comissão de Negociação da Federação Livre estes temas são considerados fundamentais para o acordo coletivo. A próxima reunião está marcada para segunda-feira, dia 24/08.

Anchieta (Sinttel-PE) Marcio e Janaína (Vivo) Tiago (Vivo) Luiz Antonio (SinttelRio) Reginaldo Biluca (Sinttel-ES) Vânia (SinttelRio) e Stela (Sinttel-CE)

Dentro das premissas apresentadas, a operadora ainda quer discutir o fim dos carros agregados, unificação para os planos de saúde na Unimed para os novos contratados, adiantamento do 13º salário conforme a legislação, banco de horas negativo, entre outras cláusulas.

A empresa explicou a derrapada que deu não fazendo o adiantamento de PPR,  em julho deste ano, devido à crise na economia e a queda nos números da empresa. Mas ela adiantou que pretende garantir o benefício, com pagamento em março, se as metas foram atingidas, com algumas alterações nos indicadores que melhoram o target anterior.

Os únicos pontos de consenso nesta reunião, em relação à pauta dos trabalhadores, foi a garantia de ter PPR, a vigência do acordo para 2 anos, desde que a empresa aceite discutir reajustes, e a manutenção da data base em 1º de setembro.

Cenário da empresa

Como acontece todos os anos, a Vivo faz uma apresentação da situação econômica, quadro de funcionários e investimentos. Números que sustentam a posição da operadora durante as reuniões e justificam as propostas que serão levadas aos trabalhadores/as.

Como era de se esperar, os números internos da empresa, apurados no 1º semestre de 2020, mostram que o faturamento caiu em todos os seus produtos  da metade de março até abril, assim como houve queda da inflação, do PIB, dos juros e da renda da população, contra um aumento significativo no desemprego diante da severa crise provocada pela pandemia de Coronavirus.

E é nisso que a empresa chora todas as pitangas para convencer os quasse 31 mil empregados/as de que é necessário mais esforço do que recompensa. Porém, os números apresentados nos meses de junho e julho já mostram sinais de recuperação. Tanto que as ações da empresa só caíram 3,5% e hoje falta pouco para alçar os patamares de fevereiro passado.

E o índice que melhor define a situação da operadora espanhola – que quer comprar a parte móvel da Oi por 16 bilhões – é o Ebtida, indicador importante para o mercado e que é a capacidade de gerar caixa, que teve uma queda de 3,8%. No mesmo período do ano passado havia um crescimento médio de 2%.

Apesar da queda do Ebtida, a operadora diz que acredita no Brasil e manterá investimentos nos próximos trimestres de 19,8% e 18,1% da receita operacional, respectivamente, pois conseguiu reduzir os custos operacionais em 5,9% e com pessoal em 0,7%.  (veja fac-símile da apresentação).

Muito dessa economia foi devido ao deslocamento dos trabalhadores nas lojas, que tiveram redução e suspensão de contratos, e dos setores de atendimento e administrativo que foram trabalhar em casa, em regime de home office.

Para a Comissão de Negociação é fundamental regulamentar o home office. E a Telefônica já tem um acordo internacional de retorno e de desconexão que pode ser estendido ao Acordo Coletivo em negociação.

Covid -19 na Telefônica

A operadora também apresentou dados sobre a contaminação dos/as empregados/as. Até o dia 10 de agosto havia 620 infectados. Deste número, 561 se recuperaram, 57 continuam em tratamento e ocorreram 2 óbitos, sendo um trabalhador de campo, que estava de atestado e outro do administrativo, que estava em home office. A empresa vem monitorando outros 95 possíveis casos.

Ao contrário do que se preconiza, a contaminação foi no setor administrativo, onde houve o maior numero de casos, 304, e, segundo a empresa, todos estavam em home office. No campo, 99 e nas lojas, 170, onde o contato com outras pessoas é maior. No Atendimento foram registrados 47 casos.

E este é um dos pontos que a Federação Livre coloca como principal: manter os protocolos de saúde e proteção dos empregados.

Suspensão de contratos e redução de jornada e salário

No campo não houve a aplicação da MP 936 e dos acordos emergenciais firmados com a Federação Livre, que garantiram a renda e benefícios. Neste setor, a turma continuou trabalhando com os salários e garantias normais do Acordo.  Porém, no setor administrativo, 10.241 contratos  tiveram redução de jornada e salário no mês de julho. Em agosto continuaram reduzidos os salários de 9,390 empregados. Nas lojas,  3.367 contratos foram suspensos em maio. Esse número foi reduzindo e ampliando a redução dos salários dos trabalhadores, chegando a 3.409 em julho.  No teleatendimento não houve redução ou suspensão de contratos.

Os dados de home office revelam  que é preciso discutir condições de trabalho, ergonomia, conexão, desconexão, compensação de despesas e custos com equipamentos.

Faixa salarial  

A Vivo conta hoje com 30.872 empregados. A maior parte no setor administrativo. E a faixa salarial é bem diversa. A maioria, 52%, ganha até 2 mil reais.

A comissão de negociação da Federação Livre na Vivo é composta pela Coordenadora Vânia (SinttelRio), Reginaldo Biluca (Sinttel-ES) Anchieta (Sinttel-PE) e Stela (Sinttel-CE). Participaram da reunião, para acompanhar o processo, o presidente da Livre, Luís Antônio Silva (Sinttel-ES) e o secretário de Comunicação da Livre, Nilson Hoffmann (Sinttel-ES).

A Federação Livre mantém um canal de comunicação nesta campanha  livre@federacaolivre.org.br. Todas as informações e boletins informativos estarão à disposição no site e nas redes sociais

     

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