Notícias

Deu no Brasil de Fato

Quantos dias você trabalha só para comprar comida?

12/05/2022 - 17h12 - Federação Livre - Redação

Se você ganha um salário mínimo, pelo menos metade do mês.

Não é exagero, não. Hoje um empregado que ganha o mínimo de R$ 1.212 e mora numa capital trabalha cerca da metade do mês somente para comprar o necessário para sua alimentação.

O cálculo foi feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que todos os meses pesquisa em 17 capitais brasileiras o valor de uma cesta de produtos definida com base num decreto sobre piso salarial. A matéria completa você lê aqui.

São Paulo tem a cesta mais cara: em abril deste ano, estava R$ 803,99. Ou seja, ganhando os mesmos R$ 1.212, uma pessoa que viva na maior cidade do país trabalha quase 66% da sua jornada mensal somente para pagar essa cesta.

Isso dá mais de 145 horas (das 220 horas mensais previstas na legislação trabalhista) apenas para garantir o básico para a alimentação. Não é à toa que ficamos todos desesperados, desse jeitinho aqui, cada vez que pisamos num supermercado.

A cesta mais barata (ou menos cara) é a de Aracaju: R$ 551,47 – ou seja, 49,19% do salário mínimo, praticamente metade.

E nem o queridinho do brasileiro escapou. O país que mais produz café no mundo viu o preço do grão torrado e moído subir mais de 50% e contribuir para o aumento dessa cesta. Aqui a gente explica por que o café caminha para virar produto de luxo e aonde isso pode chegar.

Desde 2005 um trabalhador não precisava dedicar tanto tempo da sua jornada para alimentação. Com o preço dos alimentos subindo tanto – e o salário mínimo não acompanhando –, ficou mais difícil garantir o mínimo para sobreviver.

A situação é crítica mesmo: de janeiro de 2019 a dezembro de 2022, no governo Bolsonaro, o reajuste total do salário mínimo deve ser 1,77% menor que a inflação, considerando as expectativas divulgadas pelo Banco Central. Se essa previsão se confirmar, Bolsonaro vai ser o primeiro presidente desde 1994 a deixar o governo sem conceder aumento real do salário mínimo.

Mas, embora a situação tenha se agravado no governo Bolsonaro, não foi ele que inaugurou esse processo. Desde o governo de Michel Temer, o Brasil não segue mais a política de valorização do salário mínimo.

Aliás, falando em Michel Temer…

Há exatos seis anos, o Senado aprovou a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. No início da manhã do dia 12 de maio de 2016, a então presidenta foi afastada do cargo, ainda de maneira provisória.

Desde então, você sabe, foi só ladeira abaixo, com uma série de medidas que pioraram a crise, como você pode ver aqui. Os resultados estão evidentes no início deste texto. A inflação, a queda na renda do trabalho e o desemprego fazem com que o Brasil seja um país habitável apenas para os ricos.

Teto de gastos, reforma trabalhista, reforma da Previdência, fim da valorização do salário mínimo, mudança na política de preços dos combustíveis… Esse é só o começo de uma lista de medidas que nos trouxeram até aqui. E “aqui” significa um país em profunda crise econômica, uma crise política igualmente grave, trabalhadores com menos direitos e a volta da fome. Não é pequeno o retrocesso e o impacto na vida da população brasileira.

Governo Bolsonaro acumula casos de “porta giratória”; entenda o que é e relembre episódios

Economistas debatem saída de integrantes do alto escalão do poder público para empresas do mesmo setor em que atuavam.

Omissão da Funai possibilitou invasão de garimpeiros em aldeia no Vale do Javari

Lideranças expõem terror vivido por indígenas e dizem que Funai só deu assistência após repercussão na imprensa.

Brasil de Fato
www.brasildefato.com.br

 

 

 

 

Pin It on Pinterest

Federação Livre

Federação Livre